Ignorar Comandos do Friso
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São as Fintech os bancos do futuro?

Seguramente, o momento é de mudança para os bancos europeus.

O momento é desafiante na industria dos meios de pagamento e está a forçar os bancos a tomarem decisões chave quanto ao seu futuro: ou se transformam num banco instrumental, suportando outros players mais sofisticados e orientados ao cliente ou mantêm o estatuto de banco de relação, transacional e com um papel central na vida financeira dos clientes.

A Diretiva dos Serviços de Pagamento, a qual a União Europeia se viu obrigada a rever, por via da significativa evolução tecnológica e da necessidade de regular um mercado que evoluía mais rapidamente do que a legislação, protegendo desta forma todos os intervenientes, bancos, Fintech e consumidores, é o principal impulsionador desta mudança.

Esta mudança imperativa, que a revista Diretiva dos Serviços de Pagamento induz no mercado (DSP2), vai acelerar a concorrência e aumentar (ainda mais) a disrupção digital nos serviços financeiros, garantindo um enquadramento legal adequado para os novos fornecedores de serviços de pagamentos. Neste âmbito estão os fornecedores de serviços de iniciação de pagamentos no comercio eletrónico e os fornecedores de serviços de informação sobre conta.

Ainda que careça de autorização obrigatória dos clientes, os bancos, as Fintechs e outros novos players de outras industrias, como a Google, a Amazon, a Apple, vão poder, por exemplo, dar instruções aos bancos em nome dos seus clientes para efetuar pagamentos a partir da conta de um cliente e a possibilidade de fornecer serviços de consolidação de informação sobre contas dos clientes de vários bancos e fornecedores de serviços financeiros. No limite, podem substituir as plataformas de internet banking ou a apps que hoje utilizamos para interação com os nossos bancos, consolidando numa única plataforma toda a informação financeira de um cliente.

O motor destes novos serviços são as Application Programming Interfaces (API). A DSP2 obriga os bancos a expor as suas API a estes novos players até 13 de janeiro de 2018. Esta será a data a parir da qual tudo mudará no sistema financeiro, com todos os riscos e oportunidades que as mudanças disruptivas implicam.

E os riscos são elevados, estima-se que estes novos serviços de pagamento possam provocar uma redução de 30% dos pagamentos online com cartão de débito e de 10% das transações online com cartões de crédito. Esta erosão resultará num impacto de vários biliões de euros nas comissões com estas transações, dinheiro que é atualmente capturado pelos bancos e operadores de cartões e que representa um peso significativo no produto bancário dos bancos.

Os impactos da DSP2 são transversais ao sistema financeiro europeu. A grande questão é a dimensão dos mesmos e esta será proporcional à estratégia de cada banco para resposta às novas oportunidades que a DSP2 vai potenciar, sejam serviços, produtos ou novas plataformas.