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Tecnologia pode melhorar a produtividade do sistema de saúde

“A tecnologia é sempre um meio para melhorar a saúde e qualidade de vida de cada um de nós, mas também é uma forma de promover a produtividade e a eficiência de uma instituição de saúde e, no limite, do sistema de saúde."

​A Glintt encontra-se no mercado da saúde há cerca de 20 anos. O “hospital em casa” é uma das suas grandes apostas para o futuro.

De que modo é que a Glintt se tem posicionado no mercado e que projetos é que tem desenvolvido?

A Glintt encontra-se no mercado da saúde com uma presença muito consistente há cerca de 20 anos. Com os demais parceiros do setor temos vindo a desenvolver soluções verdadeiramente disruptivas na Saúde.

Cobrimos a totalidade das necessidades de informação de um hospital com sistemas de informação na vertente administrativa – da marcação de consulta à faturação ao doente. Temos também soluções para a vertente clínica, de gestão dos processos clínicos médicos, de enfermagem e farmacêuticos.

Neste contexto, o “hospital em casa” é uma das nossas grandes apostas para o futuro. Na perspetiva da humanização dos cuidados, a Glintt participou num projeto, em co-parceria com a Santa Casa da Misericórdia e a AB Consulting, focado no desenvolvimento de uma solução de reconhecimento de voz para registo de notas clínicas.

De destacar também o projeto de reconciliação terapêutica a decorrer desde 2018 em conjunto com o Centro Hospitalar da Cova da Beira, designado por MedOn. Esta é uma plataforma para implementação do processo de reconciliação terapêutica, na transição entre cuidados de saúde, que ambiciona resolver muitos dos constrangimentos associados a esta realidade.

Por fim, o nosso foco passará sempre por trabalhar lado a lado com um leque muito variado de profissionais, para um melhor desenvolvimento de produtos que se adequem à realidade, nomeadamente às necessidades atuais dos utentes e ao constante desenvolvimento tecnológico, nunca descurando o respetivo impacto na eficiência do Sistema Nacional de Saúde. 

De que maneira é que a junção da tecnologia ao setor da saúde pode assegurar maior equidade a custos controlados e melhores resultados em saúde? ​

Na Glintt acreditamos que a tecnologia é sempre um meio para melhorar a saúde e qualidade de vida de cada um de nós, mas também é uma forma de promover a produtividade e a eficiência de uma instituição de saúde e, no limite, do sistema de saúde.

A tecnologia permite, sim, uma melhor gestão dos cuidados de saúde, e torna-se fundamental para assegurar o princípio da equidade, beneficiando todos os cidadãos, sem exceção e sem marginalizar os que se encontram a grandes distâncias dos grandes centros urbanos ou com mais dificuldades económicas.

A linha Saúde24 é um excelente exemplo disso. Trata-se de uma ferramenta que se encontra disponível para qualquer cidadão em território nacional a um custo muito reduzido.

A nível internacional, existem outros bons exemplos. Na Pensilvânia, foi lançado um programa que permite prestar cuidados em casa aos doentes idosos com necessidades muito complexas, o que permitiu uma redução de 35% dos episódios de urgência, uma redução de 40% das admissões hospitalares e uma diminuição média da despesa anual por paciente de cerca de $8000.

Por outro lado, o Memorial Sloan Kettering – uma centro de investigação do tratamento do cancro –, localizado em Nova Iorque, recorre à monitorização remota para evitar deslocações ao hospital por parte de doentes oncológicos. 

Será que Portugal estará preparado para apostar e incluir cada vez mais tecnologias na área da saúde, de forma a tornarmo-nos um país altamente digitalizado neste setor? 

Portugal é, de facto, um país pioneiro e um exemplo de sucesso em muitas iniciativas relacionadas com a transformação digital na área da saúde. A adoção massiva do Processo Clínico Eletrónico é um excelente exemplo, podendo ser considerado, nos dias de hoje, uma das fontes agregadoras de informação clínica mais relevante no contexto da saúde digital.

A rápida adoção da prescrição médica eletrónica de medicamentos a nível nacional é um claro exemplo de colaboração entre entidades públicas e privadas para atingir um objetivo comum que tem benefícios clínicos com um claro impacto na estrutura de custos para o país, sendo considerada uma referência europeia. 

Neste sentido, acredito que Portugal e fundamentalmente os vários stakeholders do ecossistema da saúde  detêm a motivação certa para contribuir para um país extremamente competitivo na digitalização do sector da saúde.​

Acredita que Portugal reúne as condições necessárias para desenvolver projetos pioneiros na integração da tecnologia no setor hospitalar? 

Portugal é uma excelente montra tecnológica, com as características certas para ser um país muito atrativo para o desenvolvimento de projetos pioneiros neste contexto. De facto, somos um país com excelentes condições para pilotar novas soluções. A nossa dimensão, adesão e aptidão tecnológica são sempre ótimas referências para depois exportar a outras regiões.

No entanto, de referir que, para que isto se desenrole com sucesso, o ecossistema de saúde tem de ser envolvido como um todo, desde o início da cadeia.

Portugal tem de estar preparado para a integração da tecnologia na área da saúde e todos os atores têm de estar focados na interoperabilidade entre sistemas, o que constitui uma necessidade incontornável num ecossistema onde coexistem múltiplos sistemas, quer desenvolvidos pelo ​próprio SNS, quer por outros parceiros do setor privado.

É fulcral, portanto, existir vontade política para tal. No HINTT, o evento anual organizado pela Glintt, no âmbito do qual ocorre a apresentação dos projetos submetidos ao Prémio HINTT, é uma excelente montra do que de melhor se faz em Portugal na área da transformação digital da saúde em diferentes vetores de atuação.

A telemedicina permite equidade no acesso à tecnologia na área da saúde? 

Disponibilizar soluções de telemedicina em contexto de cuidados de saúde primários, um nível de cuidados tipicamente de maior proximidade, permite efetivamente democratizar o acesso a tecnologia a toda a população.

A telemedicina é uma das soluções para a melhoria do acesso a cuidados de saúde por parte dos cidadãos localizados em geografi as mais remotas e com menores condições de acessibilidade e de mobilidade.

Aproveito para partilhar que o Governo alemão se encontra prestes a lançar uma iniciativa muito interessante para todos os cidadãos alemães, que passa pela prescrição de apps. Esta medida vai inclusivamente implicar a prestação de serviços digitais de saúde nos dispositivos pessoais dos utentes, por parte das seguradoras de saúde. 

De que modo serão fi nanciados estes projetos de intervenção tecnológica no setor da saúde?

Existem diversos programas de fi nanciamento promovidos tanto por organismos nacionais como europeus, aos quais as entidades podem candidatar-se: o Sistema de Apoio à Transformação Digital na Administração Pública (SAMA2020) e o EIT Health (a Glintt faz parte desta rede e tem vindo a consolidar a sua presença). 

A tecnologia seria utilizada no desenvolvimento de tratamentos menos invasivos no combate a doenças e no diagnóstico e prevenção antecipada de doenças?​

Acreditamos que o futuro deve passar pelo investimento e foco da tecnologia, não só no tratamento da doença, mas também na sua prevenção e promoção da saúde. E esta é já uma realidade. Temos vindo a assistir, de facto, à evolução constante da área da genómica, a qual tem permitido uma aposta mais vocacionada numa medicina personalizada, preventiva e “at-the-point-of-care”.

Também a existência de extensas bases de dados de saúde, orientadas para a prevenção para ajudar os cidadãos na redução dos riscos de doenças crónicas, são já uma realidade em países europeus como a Finlândia.

De que modo a inteligência artifi cial poderá revolucionar a prestação de cuidados de saúde? 

É um facto que a inteligência artifi cial poderá revolucionar a prestação de cuidados de saúde. A premissa de que os dados são a nova “healthcare currency” tem culminado numa aposta cada vez mais visível em ferramentas de Inteligência Artificial.

No entanto, e de acordo com um report do HIMSS de 2019 sobre a utilização da Inteligência Artifi cial nos sistemas de saúde europeus, os prestadores de saúde estão a começar a dar os primeiros passos no que respeita à adoção de ferramentas de IA, esperando-se um avanço muito significativo nos próximos cinco anos.